terça-feira, abril 03, 2001

ELEVADOR
Hoje fiquei preso no elevador. Nunca tinha ficado preso no elevador. É uma experiência, digamos... interessante, quase surreal. O pior do fato de entrar no elevador não é problema de ficar espremido com mais três pessoas que você nunca viu mais gordas num espaço de um metro quadrado. O sentimento claustrofóbico nada tem a ver. O problema maior é o que fazer naqueles minutos em que você é obrigado pelo destino a conviver com aquelas figuras bizarras. Sim, porque todos são bizarros a dois palmos de distância. A experiência “elevadorística”, digamos assim, são os dois minutos mais longos da existência. O único pensamento que vem à tona é: Meu Deus, quando é que chega o meu andar!!! Não sei se já perceberam mais ninguém olha nos olhos de ninguém dentro de um elevador. Ou olhamos pra cima ou pra baixo, nunca pra frente. Encarar o outro pode ser muito perigoso e eu já explico porquê. Estamos sempre na expectativa do que poderá acontecer – porque algo vai acontecer, tenham certeza. Por vezes alguém mais corajoso arrisca um olhar de soslaio. Palavra difícil essa, né? Soslaio. De lado, quase disfarçando. O que será que ele pretende? De repente um cheiro... Você olha de soslaio também. Não foi você, lógico. Foram os outros três. Mas eles pensam o mesmo de você. E o culpado jamais irá se entregar. Você vira vítima e cúmplice do crime hediondo. E essa é a hora em que a luz cai e o meio de transporte que nunca faz curvas pára. A pior hora possível. Na penumbra os soslaios continuam mais desconfiados do que nunca e você sente que o ar começa a ficar rarefeito ainda mais pelo incidente acontecido. Você toca a campainha de emergência. Uma, duas, três vezes. O anão careca começa a transpirar e exalar um segundo cheiro ao ambiente. Ninguém diz nada. Não é preciso. O senhor de óculos raiban diz que o porteiro virá, pra mantermos a calma. A senhora gorda olha com ódio pra você te julgando o pior dos homens. Você mostra suas mãos pra ela, não estão amarelas. Ela não vê. O soslaio não deixa. Você olha pros números em cima da porta. Dois estão acesos, o que significa que você está no meio de dois andares. O porteiro caolho abre com um pé de cabra a porta, mas ninguém quer se arriscar a sair que o desgraçado pode voltar a andar justamente na hora da passagem. O porteiro caolho entra pra mostrar que não tem risco. Agora já são cinco no recinto. E logo se transforma. Agora é um dos nossos. Desconfiado, cabreiro. Sem olhar de soslaio pois o olho bom não deixa. O constrangimento é geral. O silêncio idem. Dali a um quarto de hora a luz volta e você sai do cubículo sem saber que diabos foi fazer ali, mas certo que voltará usar as escadas, que o médico já havia te recomendado faz tempo.

segunda-feira, abril 02, 2001

Onde gosto de ir quando não estou filosofando no Bar?
Miner,
Cadê,
UOL,
Teatro do Pequeno Gesto,
Submarino
Memória Viva,
Acamp,
ESCADAS ROLANTES
Tenho muita raiva de pessoas que não sabem andar de escada rolante. Porque andar de escada rolante é uma arte, não sei se vocês sabem. Primeiro, é inadmissível que um casal fique lado a lado na escada. Devem ficar um na frente do outro pro caso de alguém ultrapassa-los. Mas o mais irritante são aquelas pessoas que chegam ao topo da escada e não sabem pra que lado vão e daí ficam parados, escolhendo. Todos se atropelando atrás deles e eles parados, escolhendo. Vamos para esquerda ou pra direita? Vamos ver aquela loja de sapatos? Não, vamos comer um cachorro quente primeiro. Até que você não agüenta e literalmente passa por cima deles. Eles te xingam, te olham incomodados. A escada já travou, algumas pessoas despencaram lá de cima e eles parados, escolhendo, e agora odiando você que é apressado demais. Custava esperar um pouco? – eles dizem. E você sabe que é a hora de botar o óculos azul.   Já repararam que as escadas são colocadas de modo que se você quiser ir ao terceiro andar e pegar a próxima você tem de atravessar todo o shopping? Eles querem que você veja as vitrines. Não admitem que você queira somente ir ao terceiro andar. É como nos supermercados, eles colocam o arroz e o feijão, os legumes, o papel higiênico lá nos fundos, pra você ter de passar por todas as prateleiras antes de pegar o essencial. Eles chamam isso de estratégia de marketing. Acham que se você passar por todos aqueles produtos você vai, com certeza, cair na tentação de pegar um e colocar no carrinho. Eu desenvolvi uma estratégia contra-marketing. Fiz um mapa do mercado e vou olhando para o chão e para o mapa até chegar à prateleira que preciso encontrar. Desta forma me esquivo de topar com aquele iogurte novo ou aquele biscoito de chocolate recheado com amêndoas e passo ao largo da sessão de bebidas. Eles não me pegam mais e eu só pego o essencial. Nos shoppings eu subo as escadas em caracol ou vou de elevador. Olho pro chão também. Não sou mais uma burguês consumista.
ÓCULOS COLORIDOS
Eu gosto desta moda dos óculos coloridos. Dão uma nova perspectiva do mundo tão comum aos nossos olhos. Os óculos vermelhos são os que mais me surpreendem. Indicados para pessoas apimentadas, como fogo no rabo. Botando os óculos vermelhos você se sente no próprio inferno, quente, sexualmente ativo, tesudo. Já os óculos azuis são próprios para os pacifistas de plantão. Ponha o óculos e tudo parece vestido de uma paz infinita. Tudo azul... O seu carro pode bater, você pode perder o emprego, tua mulher te pôr um par de chifres... que te importa? Você tem um fabuloso óculos azul! Para os dias nublados sujeito a chuvas ou mesmo para os dias de temporal, indica-se o óculos amarelo. Com este sempre é verão. Isso é sensacional, porque você não tem a desculpa de ficar rolando na cama por mais tempo. Ta chovendo? Há um vendaval lá fora? Está nevando? Qual o problema? Use o amarelo!! Temos também um tipo de óculos verde que serve para... bem, quem é que vai querer usar um óculos verde?
BUCETA X MULHER
Um amigo meu já dizia: Deus criou a buceta e logo depois pensou que cara poderia lhe dar. Daí veio a mulher. Na verdade, a mulher acompanha a buceta. Nós, homens de fino trato devemos observar isto e não nos enganar. Conheça primeiro a buceta com quem pretende se relacionar. Se for legal, isto é, se tudo rolar bem entre vocês, uma transa gostosa, aí sim passe ao próximo passo que é conhecer a dona da buceta. É bem verdade que nem sempre a dona combina com a buceta que tem. Você olha aquela coisa tão bonitinha, fofinha, digamos, excitante. E quando conhece a dona vem o desespero. Não encaixa. Não tem a ver. Isto é mais que o normal. Os homens experientes sabem do que estou falando. É o que mais acontece. Por outro lado a recíproca é verdadeira, ou seja, às vezes uma mulher maravilhosa é dona de um objeto de prazer completamente antipático. Raríssimas vezes descobrimos as duas compatíveis. Se isto acontecer não vacile, arrume os papéis, contrate um advogado e case. Com a buceta e a mulher. Você acertou na loteria, tirou a sorte grande. As mulheres que tiverem dúvida sobre minha teoria, podem mandar um e-mail pra mim. Eu explico, na prática a questão, e não cobro por isso.
Nos botecos da vida, todos viram sábios, profetas e filósofos. Depois de três ou mais chopps qualquer um vira técnico da Seleção Brasileira, Presidente da República, Juíz, Médico ou até mesmo Deus. Um porre nos torna mais conscientes e senhores de nós mesmos; um porre nos torna mais felizes e mais dispostos a enfrentar os obstáculos do dia a dia.
Este blog é feito em homenagens ao bêbados de plantão - os que, em sua loucura particular, parecem entender e decifrar o insano mundo em que vivemos.
Tim! Tim! Um brinde a este estranho enigma chamado Vida!!